From Caligari to Jud Süss

Portugal, 2019, projeção vídeo SD, som, cor/pb, 1:27:00, loop.

Partindo de uma coincidência de atores comuns a vários filmes, limitei-me, neste trabalho, a intercalar a montagem original d’ “O Gabinete do Dr. Caligari”, filme mudo, colorido através de filtros e passado em cenários irreais, com excertos a preto e branco das duas versões de “Jew Süss” e “Jud Süss”, filmes sonoros e de época posteriores, ambos ligados por via dos seus dois atores principais, em campos agora adversos. E enquanto Conrad Veidt vem a morrer cedo em Hollywood, ainda durante a guerra, Werner Kraus recebe honrarias, visita Hitler em Berchtesgaden, e é isento, pelos seus talentos de representação, da obrigação de combater no exército germânico.
Este meu trabalho de remontagem pretende também focar a questão vital e sempre atual do artista perante o poder político e de quanto ele é também responsável pela sua participação na cultura de um Estado e no que este representa. Até onde deve o artista pactuar e quais são os limites da sua consciência e, logo, os da sua responsabilidade?

Daniel Blaufuks

Daniel Blaufuks tem-se debruçado sobre as relações entre memória pública e privada, uma das constantes interrogações do seu trabalho, enquanto artista visual. Expôs extensivamente em museus, galerias privadas e festivais e o seu trabalho incide principalmente em fotografia e vídeo, que apresenta através de livros, instalações e filmes. A sua tese de doutoramento, pela Universidade de Gales, analisa a fotografia e o filme na sua relação com o trabalho de W. G. Sebald e Georges Perec, bem como com os temas da memória e do Holocausto.

© 2019 Curtas Vila do Conde