Curiosidades do Gabinete (cada história
é sempre um remake de outra história)

Portugal, 2019, projeção vídeo HD com 3 canais síncronos, cor, 0:05:05, loop.

Realização, montagem, voz: Eduardo Brito.
Captura de som: Tiago Cutileiro.
Cor: Luís Costa.
Agradecimentos: Cru Encarnação, Daniel Blaufuks, Marta Navarro Nunes, Tiago Cutileiro, Abílio Hernandez Cardoso, Bando à Parte, Jorge Santos, Luís Costa, Ricardo Freitas e Rodrigo Areias.

Este é um trabalho composto por duas tipologias de imagens e outras duas de som. No que concerne às imagens, por um lado, planos fixos de lugares: Weißensee em Berlim, onde, no Lixie Atelier, Robert Wiene filmou “Das Cabinet des Dr. Caligari” em 1919 e as imediações da Marmorhaus, a sala de cinema onde o filme estreou no ano seguinte: lugar de filmagem e lugar de projeção revisitam- se na distância de um século. Depois, planos de uma página onde literalmente se re-escreve o argumento, cem anos depois: o filme como possibilidade de representar o escrito, de filmar a partir da palavra. No som, a diegese dos espaços acima referidos é a base de uma narração-colagem a partir de excertos de “From Caligari to Hitler”, de Siegfried Kracauer, “Das Cabinet des Dr. Caligari”, de David Robinson, memórias pessoais de algumas passagens por Berlim e pequenos excertos de versos das canções “Be My Wife”, “Heroes”, “I’m Deranged” e “Where Are We Now”, de David Bowie, e “Men of Good Fortune”, “Berlin” e “Magic and Loss” de Lou Reed. O que quis com isto? Criar um aceno ao filme e às memórias de um espectador fascinado, uma nuvem do seu formalismo (pela representação do lugar de filmagem e lugar de estreia, argumento, espectadoria), numa mini deriva na cidade. Por outras palavras, filmar o que não acontece (ou o nada a acontecer) no lugar onde aconteceu.

Eduardo Brito

Eduardo Brito trabalha em cinema, fotografia e escrita. Tem o mestrado em Estudos Artísticos, Museológicos e Curadoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com a dissertação Claro Obscuro – Em Torno das Representações do Museu no Cinema. Na FBAUP é assistente convidado e investigador no I2ADS. Os seus trabalhos têm explorado os temas verdade- ficção-memória, bem como a relação texto-imagem: por exemplo com os livros “As Orcadianas” (2014) e “East Ending” (2017) e com as séries fotográficas “Un Samedi Sur Terre” (2017) e “Histórias Sem Regresso” (2018). Escreveu o argumento das curtas “O Facínora” (Paulo Abreu, 2012), “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” (Manuel Mozos, 2015), “O Homem Eterno” (Luís Costa, 2017) e, com Rodrigo Areias, da longa “Hálito Azul” (2018). Realizou as curtas metragens “Penúmbria” (2016) e “Declive” (2018).

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