"Locus Amoenus, Locus Horribilis"

A Solar — Galeria de Arte Cinemática termina o seu programa anual de atividades com a exposição “Locus Amoenus, Locus Horribilis” , de Jonathan Uliel Saldanha, um dos artistas multidisciplinares mais relevantes da contemporaneidade da arte portuguesa de caráter multidisciplinar. Construtor sonoro e cénico, Jonathan Uliel Saldanha, opera sistemas onde pré-linguagem e cristalização, animismo e eco se deslocam entre a luz, som, espaço e gesto. As suas obras constroem-se a partir da junção de áreas artísticas como a música, performance e vídeo, de forma sui generis, quase mística e sempre surpreendente. Neste momento, entre os artistas cuja base de atividade se situa no Porto, é dos que alcança maior projeção a nível internacional, participando, individual ou coletivamente, em diversos tipos de eventos, dedicados às artes performativas, à música ou, até, às artes plásticas.

A cooperativa Curtas Metragens CRL tem vindo a seguir o trabalho do artista desde a sua primeira colaboração, em 2015, constituindo “Locus Amoenus, Locus Horribilis” um corolário desta relação, sob a forma de uma exposição que integra uma série de instalações com projeções vídeo, em um ou vários canais, realizadas a partir do mesmo material fílmico montado inicialmente para a peça “SØMA”.

Em “Locus Amoenus, Locus Horribilis” , observam-se excertos selecionados a partir das experiências fílmicas desenvolvidas por Jonathan Uliel Saldanha nos últimos anos, as quais foram digitalmente trabalhadas em várias etapas, por camadas, e nas quais explora ambientes insólitos, como o de um tribunal afásico e desmembrado, lugar de inquérito a um objeto estático e ausente. Para esta exposição, articulando a projeção vídeo – em um ou vários canais – e criação sonora, com o espaço e linguagem brutalista da arquitetura da Solar, o artista cria uma nova instalação em quatro capítulos, quatro partes de uma única obra.

O projeto tem vindo a ser desenvolvido desde 2017 e foi apresentado enquanto performance, em novembro de 2018, no Pequeno Auditório Culturgest, em Lisboa para o Festival Temps d’Image e em Janeiro de 2019 na Sala Rivoli TMP, no Porto, onde serviu de partitura visual a um grupo de intérpretes surdos.

“Locus Amoenus, Locus Horribilis” terá a sua inauguração dia 22 de novembro de 2019, na Solar – Galeria de Arte Cinemática e estará patente até 11 de janeiro de 2020.

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