COMUNICADO

Na sequência do anúncio do confinamento geral por parte do Governo, resultante do atual estado de emergência, e tendo em conta as diretivas que decretam o encerramento dos equipamentos culturais a partir das 00:00 da próxima sexta-feira, dia 15 de janeiro, a Curtas Metragens CRL anuncia a suspensão e adiamento da exposição "Primeiras Impressões de uma Paisagem", de João Nisa e do espaço Loja das Curtas a partir dessa data.

Em momento oportuno, e após comunicação por parte das autoridades responsáveis da reabertura dos recintos culturais, informaremos quando decorrerá a reabertura dos espaços da Solar - Galeria de Arte Cinemática.



Introdução

Nuno Rodrigues

A Solar – Galeria de Arte Cinemática tem vindo a afirmar-se enquanto espaço de experimentação num campo artístico que se situa entre o cinema e as artes plásticas, onde estes tendem a reinventar-se no cruzamento com diferentes expressões artísticas. É neste território multidisciplinar que tem vindo a desenvolver uma grande diversidade de propostas de exposição, nas quais prevalece uma forte relação das obras apresentadas com a especificidade do espaço arquitectónico existente.

Ao longo dos últimos anos fomos acompanhando um projecto de João Nisa em fase de desenvolvimento, que incluía uma série de filmagens destinadas à concepção de uma obra cinematográfica antecipadamente pensada para diferentes tipos de exibição. A especificidade do projecto em curso proporcionou a criação de uma exposição original para o espaço da Solar.

Primeiras Impressões de uma Paisagem é uma instalação elaborada a partir de material filmado por João Nisa no interior do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, cujo resultado permanecerá durante o período da sua apresentação na Solar, assumindo um carácter efémero. Partindo de imagens filmadas através de um complexo processo de captação de imagens projectadas por dispositivos de camera obscura, remete-nos para as origens da representação da paisagem na pintura e nos primórdios da fotografia. O trabalho desenvolvido traduziu-se numa articulação meticulosa entre as imagens e sons captados por João Nisa, posteriormente trabalhados para o contexto da galeria, numa transposição espacial de seis representações cinematográficas da paisagem, efectuadas a partir de seis janelas do Aqueduto das Águas Livres.

O percurso desenvolvido para a apresentação da instalação propõe relações diferenciadas do espectador com projecções isoladas, e outras onde estas imagens se contaminam, proporcionando uma experiência sensível de carácter único, onde os sons e as diferentes projecções se organizam em configurações que nunca se repetem.

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