Tânia Dinis


“Apontamentos Diáfanos”, resulta da residência artística realizada a convite da Solar – Galeria de Arte Cinemática de Vila do Conde, na zona piscatória das Caxinas.
A instalação é composta por uma série de experiências e ensaios visuais, na relação de movimento e sobreposições de imagens, entre o micro e macro, utilizando pequenas ferramentas e elementos do mar, num território onde a própria dramaturgia é a tentativa de criar, arquivar, encenar novos quadros, uma linha temporal, onde o próprio espectador tem, também, a possibilidade de construir o seu tempo de montagem, reenquadramento, num diálogo da imagem e som, cruzando o documentário e a ficção. Imagem que é reflexo e é metáfora entre o que é visível ou não.

“Apontamentos Diáfanos” é a reinterpretação livre de registos íntimos, fugazes, subtis e o confronto com os mesmos, sendo uma etnografia de interior, de pequenas histórias sobre o mar, que parte de conversas e encontros com Irmina de Jesus Terroso, cuja vida e a história nos leva à identidade do território, à tradição de modos de vida de “gentes” do mar e, também, com o artista Renato Cruz Santos que, através de seu olhar cuidadoso, permite-nos uma imaginação que vai para além do lugar e da situação, onde a sensibilidade com os elementos e símbolos da fusão do corpo com a natureza apresenta um ponto de encontro que é também a própria cultura desta zona piscatória marcada de paixão pela pesca, pelo mar, onde o vento varre a praia e desenha a rocha, onde o salitre entranha-se na pele e marca a pele. Esta criação é uma arqueologia da memória afetiva, que cresce em pequenos fragmentos, os quais nos convidam à imersão através de pequenos gestos, desde o íntimo que se toca até a fragilidade na fragmentação da voz. “Apontamentos Diáfanos” é uma investigação de arquivo presente, onde o imagético desenha a paisagem.

Com Irmina de Jesus Terroso e Renato Cruz Santos
Agradecimentos/apoio artístico: Jorge Quintela, Tales Frey, Hilda de Paulo, Susana Abreu, Joana Caetano, Alexandra Ramires, Ricardo Leite, Mónica Baptista, Pedro Marinho, Bando à Parte, Joaquim Dinis, Abel Coentrão, Família Cruz Santos, Família Jorge, Arquivo Municipal de Vila do Conde - Município de Vila do Conde


Biografia

Tânia Dinis ( 1983, Vila Nova de Famalicão ), tem desenvolvido um trabalho de pesquisa e criação, sobre intimidade, arquivo de família, documento, relação tempo-imagem-memória-sonho, e estes trabalhos em específico, estão inseridos na série “Arquivo de Família”, a qual está em constante desenvolvimento e atravessa diversas perspectivas e campos artísticos, como o da fotografia, o da performance, o do cinema. Esta pesquisa, começa por investigar e recolher imagens, pessoais ou não, assim como outros suportes e dispositivos, para depois serem reunidos em experimentos artísticos, reorganizados, revisitados e manipulados pela montagem, implementando colagens e fragmentos sonoros, construindo pequenas narrativas, num exercício de confrontação da imagem e/com o som, da exploração da ideia de imagem como uma experiência da efemeridade do tempo e da memória, recorrendo também, a outros registos de imagem real.

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