Introdução



O encontro renovado entre a programação da — Galeria de Arte Cinemática e a do Circular Festival de Artes Performativas resulta numa coprodução que explora o trabalho criativo multidisciplinar de João Pais Filipe e de Mónica Baptista. No caso desta exposição, que integra também momentos performativos, as interseções possíveis entre a lógica de programação das duas estruturas sediadas em Vila do Conde estabelecem pontes entre territórios distintos: o músico percussionista assume-se também como escultor e escultor de sons; a cineasta experimental como fotógrafa e como artista plástica que emprega a fotografia como elemento base de dispositivos desenvolvidos espacialmente. Ambos os artistas participaram anteriormente noutras atividades de programação da Curtas Metragens CRL, facto que corrobora critérios de continuidade ou, até, de cumplicidade, na relação que se vai edificando com artistas das mesmas áreas de ação e de intervenção e implementação geográfica: João Pais Filipe, em 2018, no 26º Curtas Vila do Conde, com a banda Black Bombaim, num filme-concerto para “Dragonflies with Birds and Snake” do alemão Wolfgang Lehmann; Mónica Baptista, que desde os filmes coletivos produzidos em âmbito escolar, em 2007, tem vindo a participar também no festival e em diversas competições (Boca, 2007; Kispo, 2007; Territórios, 2009; Diário, 2011; Água Forte, 2018; Nine Doors, 2018). A exposição foi imaginada em conjunto, após um desafio lançado pelas equipas de programadores, convocando João Pais Filipe para um trabalho mais amplo, de cruzamentos disciplinares e para a exploração do espaço total da galeria, individualmente, mas com abertura para outras quaisquer colaborações. O contributo de Mónica Baptista veio valorizar o processo, com peças que, intrinsecamente, já manifestavam cumplicidade e complementaridade. Consequentemente, a galeria é habitada por objetos, imagens e sons, que formam um conjunto. São como um registo de uma relação que se prolonga no tempo e no espaço, particularmente o da viagem a paisagens remotas, o lugar onde se exponenciam cargas simbólicas e se exploram também encontros com outras culturas.

Mário Micaelo

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