LOVELY MEMORIES
Doze montagens utizando diferentes extractos de Frenzy de Alfred Hitchcock (1972).
Duração das montagens : de circa 11 segundos a 13 minutos ;
Assistência técnica à montagem : Xavier Gautier ;
Assistência técnica à instalação na galeria : Davide Freitas ;
Instalação criada para a exposição “ under Hitchcock ”.
Concebido para a exposição Under Hitchcock
Série Essence de l’Image, Portraits olfactifs
Uma enorme quantidade de batatas encontra-se amontoada no espaço da exposição. Um sapato de mulher, um escarpin, jaz no topo do monte de tubérculos no qual foi enterrado parcialmente um velho televisor.
No ecrã podemos vislumbrar um extracto de Frenzy, onde vemos o personagem de Brenda Blaney (Barbara Leigh-Hunt) a tentar arrancar-se de uma poltrona. Um baloiço está pendurado em frente ao televisor.
O visitante pode sentar-se para ver as imagens no ecrã ou para se balançar por cima das batatas.
Quando o baloiço entra em movimento a imagem de Brenda desaparece momentâneamente dando lugar a uma outra série de montagens onde aparecem, sob a forma de flashes, diferentes extractos de Frenzie.
Emergindo do aparelho uma voz inicia uma ladainha “ - lovely, lovely, lovely’s… ”, proferidos ameaçadoramente. Uma webcam esta escondida entre as batatas, de forma a filmar em plano inclinado os visitantes que se balaçam na sua direcção.
As imagens que a câmara capta são difundidas em directo num ecrã de computador disposto num outro espaço da galeria.
A presença dos tubérculos remete imediatamente para uma das sequências de Frenzy, onde Rusk tenta recuperar entre os dedos de Babs, dissimulada dentro da carga de um camião, o alfinete de gravata que poderia permitir à policia identifica-lo.
O baloiço e o sapato de tacão alto que empoleira o monticulo alude à pintura Les Hasards Heureux de l’escarpolette, de Fragonard, cuja reprodução aparece no filme, pendurada exactamente atràs da secretária de Babs.
Decidindo baloiçar-se o visitante assume um duplo papel. Por um lado assimila-se a Babs sendo projectado como ela em direcção ao monte de batatas e tambéma Brenda, outra vitima de Rusk, que apresenta caracteristicas que a assemelham à figura feminina de Fragonard.
A montagem reforça esta analogia. Os movimentos de Brenda são re-trabalhados para simular o seu balanço na excarpolette. Anunciando ou prolongando o baloiçar dos visitantes sobre as batatas, estes movimentos provocam entre o personagem e os visitantes, um jogo de espelho que reforça a projecção no universo da pintura e do filme.
É assim instalado um perigo suspenso, uma ameaça que o visitante pode escolher desafiar ou não, arriscando-se fisicamente no seio da instalação, esta vertigem pode recordar a do abandono a que se entrega o espectador numa sala de cinema.