Horário: Terça a Sexta 14.30-18.00
Sábado e Domingo 10:00-12:30 / 14:30-18:00
Entrada livre


Introdução à história dos materiais e técnicas de cinema de animação.

Apresentação de cenários, personagens e adereços do filme “Passeio de Domingo”, de José Miguel Ribeiro, e materiais do filme “Don't Let It All Unravel” de Sarah Cox.

Teatro de sombras e exibição do filme "Círculo" de Kirk Hendry.

Brincar ao Cinema, um espaço dedicado à realização de pequenos filmes de animação

VISITAS GUIADAS
Solar – Galeria de Arte Cinemática
07.12.2009 - 05.03.2010
Horário: De Segunda a Sexta, 10h-18h
Gratuitas para escolas e outros grupos mediante pré-reserva

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO CINEMA DE ANIMAÇÃO

Uma viagem ao mundo da animação que proporciona a descoberta de materiais e técnicas utilizados em diferentes épocas. Em 1895, os irmãos Lumière criaram o cinematógrafo, marcando o início do cinema. Pouco depois, em 1906 o inglês James stuart Blackton realiza aquele que muitos historiadores consideram o primeiro filme de animação: “Humorous Phases of a Funny Face”. Mas a história da animação pode ser estudada antes desta data. Antes que Blackton realizasse seu filme outros tentaram alcançar a técnica da animação e para isso desenvolveram estudos e brinquedos opticos que forneciam a ilusão do movimento.

BRINQUEDOS ÓPTICOS E OUTRAS INVENÇÕES
Mesmo sem o conhecimento técnico da persitência retiniana, os chineses desenvolveram os Jogos de Sombras por volta de 5000 a.C. Experiências posteriores como a câmara escura e a lanterna mágica constituem os fundamentos da ciência óptica, que torna possível a realidade cinematográfica. Para captar e reproduzir a imagem do movimento foram construídos vários aparelhos baseados no fenômeno da persistência retiniana.

TAUMATRÓPIO / THAUMATROPE
O Taumatrópio consiste num disco com duas figuras diferentes desenhadas uma em cada lado, mas em posições invertidas. Cada extremidade do disco possui um pedaço de fio. Quando se faz girar o disco rapidamente sobre o fio esticado, as duas imagens parecem estar sobrepostas dando a ilusão de se tratar apenas de uma figura. Quanto mais depressa o disco girar, maior será a ilusão criada.
O taumatrópio foi criado em 1825, pelo físico londrino Dr. John ayrton Paris, para demonstrar o fenómeno de persistência retiniana.

ZOOTROPE / DAEDALUM
O Zootrope ou Daedalum é um cilindro oco tendo rasgadas nas bordas superiores um certo número de fendas espaçadas regularmente uma das outras. Qualquer desenho colocado no interior dos intervalos situados entre as fendas é visível através das fendas opostas. Se esses desenhos reproduzem as fases sucessivas de uma acção obtém-se, fazendo girar o cilindro, o mesmo efeito de movimento que se observa com o Fenaquistiscópio e/ou Estroboscópio, não havendo a necessidade de colar o olho ao aparelho, já que quando gira parece transparente e várias pessoas podem simultaneamente admirar o fenómeno. O Daedalum foi rapidamente comercializado e passou-se a denominar de Zootrope. Forneciam-se com o aparelho colecções de fitas com desenhos que se colocavam e se substituíam na face interior do cilindro. Inventado em 1834 por William George Horner, trata-se de mais um dos brinquedos ópticos que permite visionar um movimento contínuo ou em acção cíclica.
Marta Monteiro

Passeio de Domingo

Cenários, personagens e adereços do filme
PASSEIO DE DOMINGO
José Miguel Ribeiro, Portugal, 2009, 20 min

São capazes de guardar um segredo?... Este domingo vai ser diferente. Nem pomos os pés dentro do carro. A mãe e o pai não vão discutir e nós vamos brincar num jardim de couves gigantes.

Da ideia ao argumento, do estudo de personagens ao desenho técnico, do molde à marioneta... é grande a viagem feita por um filme de animação de volumes, desde que nasce na cabeça do realizador até ao último dia do último acerto em pós produção. Quem vê um filme de animação de volumes não sonha todo o trabalho de construção que teve de existir antes! De facto tudo o que se vê teve de ser pensado, desenhado e construído. São marionetas, cenários e adereços, tudo coisas tridimensionais e algumas tão pequeninas que cabem na palma da mão... muitas são frágeis e estragam-se durante as filmagens, pelo que é necessário fazer várias réplicas de uma mesma coisa (por exemplo das pernas, dos braços, das pálpebras e mesmo dos olhos!). Quando finalmente se chega à filmagem ainda só cerca de metade do caminho foi percorrido. É aqui que há o set onde todas estas coisas se montam e conjugam, com as luzes, os reflectores, a máquina fotográfica para captação das imagens e o computador onde o filme vai sendo gravado, cena a cena e imagem a imagem, ao ritmo de uns estonteantes 6 segundos (144 fotogramas) por dia e que, no final já na sala de cinema, serão projectados à velocidade de 24 fotogramas  de animação por segundo!
Finalmente e depois de todas as cenas gravadas há a pós produção que envolve desde correcções de diversa ordem na imagem, ao som, com as falas, os sons ambientes e a musica de fundo, genérico, etc...
No estúdio onde durante cerca de 5 meses se passou toda a construção, uniram-se forças para um trabalho hercúleo: Interpretaram-se desenhos e ilustrações, experimentaram-se maquetes, arriscaram-se saídas, escolheram-se materiais, falharam-se tentativas e batalharam-se soluções. Mais cabeçada na parede menos cabeçada na parede, tentou-se a todo o custo que o que nasceu no plano da folha de papel passasse à tridimensão desejada sem perder de vista a imagem inicial do projecto. E deu luta! Mas compensou...
Aqui vos apresentamos as marionetas, os adereços, alguns desenhos originais e parte dos cenários.
Ana Oliveira, Realização Plástica

Círculo

Teatro de sombras e exibição do filme
CÍRCULO
Kirk Hendry, Reino Unido, 2008, 5 min

Um conto de morte e renascimento num mundo selvagem de mãos sombrias.
O Festival Electric Proms da BBC organiza uma secção/concurso chamada New Music Shorts. Basicamente, cada concorrente escolhe uma das três faixas pré-seleccionadas, escreve um guião e cruza os dedos... Eu escrevi um guião para uma canção chamada 'Round' dos XX Teens que gravam para a Mute Records e tive a sorte do meu projecto ser escolhido.
Kirk Hendry, Realização

A curta de Hendry centra-se no curto impacto que o Homem tem na natureza tendo em conta a longa história da Terra. A natureza Lo-Fi da sua produção incluiu improvisação com um suporte de luz para dar apoio às mãos do artista Mago Serpico, inspirado no teatro de sombras. O storyboard do filme foi feito tendo em conta as limitações da mão humana. No entanto, para alguns animais, as formas das mãos e os planos tiveram de ser compostos em pós-produção. Hendry e a sua equipa atingiram o objectivo de fazer as mãos de um só homem parecerem as de um grupo de 20 pessoas.

Não Deixes que se Desfaça

Materiais e storyboard do filme
NÃO DEIXES QUE SE DESFAÇA
Sarah Cox, Reino Unido, 2006, 2 min

Não puxes o fio até ao fim, emenda-o...

Este planeta e tudo o que nele existe levou milhões de anos a evoluir de forma lenta, cuidada e única. A velocidade à qual hoje em dia o estamos a destruir é o tema que este filme trata através da simplicidade do tricot. Um globo terrestre de tricot colorido gira sobre o seu eixo enquanto um fio de lã é puxado. À medida que a câmara se aproxima vemos que aspectos particulares do planeta se estão a desfazer, os Pólos, os oceanos, as florestas, os animais e tudo a desaparecer a um ritmo imparável. Noutro plano vemos o mundo mais pequeno e mais escuro, ainda a desfazer-se, penetrado por uma agulha de tricot. A frase final “Não deixes que tudo se desfaça” é feita em tricot e filmada a desfazer-se sendo projectada ao contrário de modo a preencher o ecrã. Esta proposta joga com a metáfora “a stitch in time saves nine” , que significa que um ponto dado a tempo poupa nove, ou uma medida tomada a tempo poupa muitas outras. O filme dá a sensação de ser feito à mão, tudo foi realmente tricotado e um globo em tricot foi filmado em stop motion. Foram tricotados modelos diferentes para os Pólos e para as florestas, filmados a desfazerem-se numa mistura de imagem real e de stop motion. A banda sonora é uma mistura de sons humanos não verbais e uma sobreposição de acordes de origem ocidental, africana e oriental.
Sarah Cox, Realização
 
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