Holiday, video

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Interrupt, video

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Unsynth, video

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Drop Field #1, video still

Drop Field #1, video still

Drop Field #2, video still

Drop Field #2, video still

Shop Me, video

Shop Me, video

SET RESET . Hugo Olim


A cicatriz da imagem
No espaço da modernidade a mudança de paradigma perceptivo com a recepção da imagem em movimento definiu-se como um dos campos mais determinantes para a definição de novas construções interpretativas do respectivo valoruso. De forma ainda mais aguda do que no caso da fotografia, onde a querela se centrou na inscrição dos seus procedimentos e resultados na esfera artística, com o cinema e, principalmente, com a televisão, as questões alastraram para áreas que definem o próprio devir político e social dos universos aí tocados. Ou seja, a tempo da imagem é, agora, a imagem do tempo.

A expressão popular “uma imagem vale mil palavras” ganhou, na contemporaneidade, uma ressonância que toca o cinismo. O descrédito da palavra é o descrédito da narrativa, dos conteúdos vitais. Aquilo que parece determinar a nossa época é uma espécie de crença na transparência da imagem, como se a sua voragem excessiva não tivesse exactamente provocado um efeito contrário, isto é, um generalizado adormecimento da capacidade crítica do receptor.

Se por um lado a mercantilização da imagem mediante os seus canais de distribuição mais poderosos, como sejam a publicidade e o entretenimento, façam do seu valor um dos campos de maior especulação financeira dos tempos presentes, a democratização do seu uso não parece ter trazido de forma que não residual novos entendimentos do mundo: todos filmamos as mesmas coisas de maneira igual, dir-se-ia. Voltamos, então, à questão moderna: é no campo mais ou menos estabilizado daquilo a que se convencionou chamar de arte que encontramos as propostas que se diferenciam do magma globalizado de um capitalismo puro e duro que se gosta de aperaltar com construções imagéticas elaboradas. E se nos primórdios da modernidade a grande interrogação se colocava na esfera do aproveitamento ideológico da imagem, a questão parece hoje ter-se diluído num ponto bem mais pernicioso que é precisamente o do carácter des-ideologizado do seu tratamento a favor de uma putativa ancoragem democrática que mais não é do que a subserviência a números: investimento versus espectadores.

A prática de Hugo Olim tem-se centrado na apropriação da imagem vídeo para a desconstruir, decompor, alterar, poluir e finalmente a reconstruir mediante cortes e manipulações de montagem, para além da indução de incidentes tecnológicos na sua codificação. Estes incidentes são vitais no resultado final dos seus trabalhos, pois introduzem marcas que se inscrevem como sulcos de um tempo sem tempo em imagens propositadamente datadas. Mais do que no nervo, é na pele das imagens que este cirurgião opera. Porque a escolha poderia ter recaído sobre imagens política ou socialmente sobre determinadas; contudo, o autor vai precisamente trabalhar sobre segmentos anódinos de um panorama audiovisual preenchido por infindáveis fragmentos de insignificâncias.

Ora se as imagens de partida se sedimentam numa aleatoriedade discursiva e conteudística, as manipulações de Hugo Olim remetem para um generalizado sentimento de decadência, onde o ritmo da montagem, as fissuras no fluxo imagético e o som, quando existente, sublinham o respectivo carácter inebriante.
É, assim, de um entretenimento curto-circuitado que aqui se trata. E da sobreposição de colapsos narrativos poderá emergir um sentido, ainda que no contexto desta tautologia negativa: aprisionado na degenerescência da imagem o olhar do espectador não poderá deixar de se sentir confrontado com a necessidade de tomar partido, na exacta medida em que o vazio lhe seja incómodo.

Aqui, talvez, resida o grande desafio a este jovem artista: como passar da crítica ao entretenimento, inteligentemente realizada neste momento expositivo a partir do seu interior, para uma segmento de trabalho em que propositivamente se criem mecanismos visuais com uma densidade narrativa própria, ainda que essa narrativa se alicerce na desconstrução do pré-existente. É nessa expectativa que estas imagens me deixam. Que da sua cicatriz se regenerem os tecidos do sentido.

Miguel von Hafe Pérez

Hugo Olim

Hugo Olim

Biografia

Hugo Olim

Nasceu em Machico, 1978. Vive e trabalha na ilha da Madeira.

Formação Académica
2007 – Pós-graduação em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
2003 - Licenciatura Bietápica em Tecnologias da Comunicação Audiovisual pelo Instituto Politécnico do Porto.

Exposições
2008
“Meta-mor-fose” fotografia, Galeria do Convento S. Francisco, ilha do Pico, Açores, Portugal. (colectiva)
2007
“OnOff” vídeo,
India International Centre, New Dehli, Índia; (colectiva)
XIV Bienal de Cerveira, Portugal; (colectiva)
“Links” fotografia + vídeo,
galeria Lab65, Porto, Portugal; (individual)
Museu de Arte Contemporânea do Funchal, Portugal; (colectiva)
OkastudioGallery, Porto, Portugal; (colectiva)
“Orgânicos” fotografia,
II Bienal do Porto Santo, Porto Santo, Portugal; (colectiva)
“Meta-mor-fose” fotografia,
Museu de Angra do Heroísmo, Açores, Portugal; (colectiva)
“Sonnenuntergang” fotografia,
exposição colectiva Quartos Vagos, Funchal, Portugal; (colectiva)
“T0” vídeo instalação,
Igreja de São Tiago, Palmela, Portugal. (colectiva)
2006
“Outline” fotografia
Galeria Lab65, Porto, Portugal, (colectiva)
“Rennacs” scannergrafia,
Museu de Angra do Heroísmo, Angra do Heroísmo, Portugal; (colectiva)
Museu Casa da Luz, Funchal, Portugal; (colectiva)
“Meta-Mor-Fose” fotografia,
Gran Canaria Espacio Digital, Las Palmas, Espanha; (colectiva)
“T0” vídeo instalação,
Galeria Mouraria, Funchal, Portugal; (individual)
“Men VS Machine” video,
Colectiva “What is Watt?”, Fórum da Maia, Maia, Portugal; (colectiva)
Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, Vila do Conde, Portugal; (colectiva)
“OnOff” vídeo,
Festival Art-Ort, Heidelberg, Alemanha; (colectiva)
Festival Transmediale, Berlim, Alemanha; (colectiva)
Performance & Intermedia Festival, Szczecin, Polónia; (colectiva)
Festival Internacional de Arte Digital Rosário, Santa Fe, Argentina; (colectiva)
Colectiva “What is Watt?”, Fórum da Maia, Maia, Portugal. (colectiva)
2005
“Rennacs” scannergrafia,
Gran Canaria Espacio Digital, Las Palmas, Espanha; (colectiva)
Galeria Mouraria, Funchal, Portugal; (colectiva)
Magnólia, Funchal, Portugal; (individual)
“Letargo”, “Men VS Machine”, “Atlantis” vídeos,
Magnólia, Funchal, Portugal; (individual)
“OnOff” vídeo,
Museu de Arte Contemporânea do Funchal, Funchal, Portugal; (colectiva)
Festival VídeoLisboa, Lisboa, Portugal. (colectiva)
2004
“Fish_Music”, “Y+B”, “TRPTC”, “Drive Me”, Rolling Bags”, “OnOff” vídeos,
Museu Casa da Luz, Funchal, Portugal; (individual)
“Fish_Music” vídeo,
Festival Némo, Paris, França; (colectiva)

2003
“Flickers” fotografia+vídeo,
Festival Ovarvídeo, Ovar, Portugal (individual)
Sentidos Grátis 6.0, Coimbra, Portugal; (colectiva)
Museu Casa das Mudas, Calheta, Portugal; (colectiva)
“Rennacs” scannergrafia,
Instituto Superior de Engenharia do Porto, Porto, Portugal; (colectiva)
“Y+B” vídeo,
Festival D'Images Artistiques Vídeo, Palácio da Galeria, Tavira, Portugal. (colectiva)

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