Sometimes the best way to find something is to move away from it, 2011

Sometimes the best way to find something is to move away from it, 2011

A obra de Pedro dos Reis, presente na Solar, caracteriza-se por um exercício de contínuo deslocamento entre imagens, paisagens, contextos e experiências no espaço e no tempo. Essa é uma das questões centrais do seu projeto, que se reflete tanto no plano temático das suas imagens como nos meios e dispositivos técnicos que usa para instalar a peça no espaço.

Se o título Sometimes the best way to find something is to move away from it faz primeiramente referência a uma experiência pessoal do autor, como esclarece em conversa com Miguel Palma reproduzida no catálogo, o foco deste trabalho transcende esse âmbito biográfico, constituindo um modo de reflexão sobre como habitamos e estamos no mundo. Pedro dos Reis viveu em Nova Iorque entre 2004 e 2010, encetando no ano de regresso a Portugal um processo de reconstrução de memórias, de relações, de percursos e de espaços. Esse retomar, mais do que um reconhecimento do que foi deixado para trás, é um despertar de consciência sobre a sua própria condição e o mundo que o rodeia. Através das suas imagens e de referências ao espaço em que se encontra, demorada ou fugazmente, Pedro dos Reis assinala as observações, mostrando como vê e sente o espaço que percorre. Assim, o que ele fundamentalmente analisa é a real perceção ou transformação da nossa experiência na forma como podemos revisitar, redescobrir e reconstruir a relação que mantemos com os espaços envolventes.(1)

(1) Excerto do texto "A resistência das imagens" de Sandra Vieira Jürgens, publicado no catálogo Miguel Palma: Densidade, editado pela Solar no âmbito desta exposição.

Pedro dos Reis

Nasceu em Lisboa em 1975, vive e trabalha atualmente em Lisboa. Tendo formação em fotografia no MEF, desde 2002 que Pedro dos Reis tem vindo a desenvolver trabalho no campo das artes visuais, nomeadamente em fotografia e vídeo. Do seu corpo de trabalho destacam-se várias colaborações em revistas nacionais e estrangeiras, tais como a Sonic Scope Quarterly, Dif, Bant Magazine, LVHRD Mgzn, Parq e Bypass; projetos colaborativos, como o Globalcity Project – do qual é autor, Unsound Thinkers e Exquisite Corpse (com a artista multimédia Peishan Kao, apresentado na Juilliard School em Nova Iorque e no Monkey Town, em Brooklyn); e ainda a sua participação em alguns festivais de som e imagem, tais como Mascavado, Amsterdam Film Experience, Out.fest – Encontros de Som e Imagem do Barreiro e Atlantic Waves - London International Festival of Exploratory Music, em que colaborou estreitamente com músicos, como Nuno Moita, André Gonçalves, Tim Hecker, Rodrigo Dias e Gonçalo Silva. Participou em exposições coletivas, como Projeto Lisboa (2007), tendo exposto individualmente em 2011, no Porto, na Fundação, espaço com programação de Cristina Regadas, José Almeida Pereira e Miguel Flor e na Pickpocket Gallery, em Lisboa, com a exposição Case Study. Em paralelo tem prosseguido uma carreira de escrita sobre arte, tendo sido colaborador da Artecapital.net (2008-2009), da Bypass (2009) e da Artes & Leilões (2010).

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