Instalação vídeo, dvd loop, 2008
cortesia Jousse Entreprise, Paris

The Screening é simultaneamente uma performance e o filme nela contido.

“Uma noite, na floresta. Corujas, furões e raposas… As actividades normais dos animais são perturbadas por raios de luz: é um grupo de humanos. Juntam-se em frente de uma superfície branca sobre a qual, quando regressa a escuridão, sombras começam a mover-se. ”

Esta sinopse é a narração do que aparece no ecrã e também a narração do que acontece durante a noite: uma plateia é conduzida por uma floresta com uma lanterna. Sentam-se numa clareira em frente a um ecrã e começa uma projecção. Inicialmente o filme lembra um documentário sobre vida selvagem, com a continuação, uma certa ligação à realidade começa a emergir, a sensação de que as pessoas se estão a ver no ecrã – o filme The Screening, retrata a situação tal como foi experimentada, mas do ponto de vista específico do mundo natural envolvente – uma ‘mise en abyme’. Não é propriamente um duplicado, é mais um espelho que distorce, que estica a realidade por detrás dos arbustos.


“Há alguns anos, no verão, estive no festival de cinema de Locarno para apresentar uma curta metragem numa sessão paralela. Uma noite, na Piazza Grande, enquanto assistia a uma das famosas sessões ao ar livre, tive uma experiência muito forte com um filme, o tempo real... e o clima. Não me lembro muito bem do filme, o enredo não mantinha os espectadores muito concentrados e podiamos sentir o vento que começava a soprar. Então, no filme, o tempo começou a escurecer, enquanto ouviamos um primeiro trovão no céu... Alguns planos depois, a actriz parecia estar a observar as nuvens, pensando no tempo que iria fazer... então, no preciso momento que um grande plano a mostra a olhar para cima e a dizer “está a chover” começou a chover imenso! O contra-plano desta cena foi a realidade sincronizada... Foi muito bonito! Penso que a coordenação continuou durante alguns planos, as personagen abrigando-se da chuva, enquanto as pessoas abriam os guarda-chuvas... Trovoadas e chuvas de verão são comuns em Locarno e as pessoas já estão habituadas, permanecendo sentadas com os seus guarda-chuvas. Mas devido à sicronização precisa entre a realidade e a ficção, esta experiência foi um momento forte no trilho que me levou à minha última performance, “The Screening”, da qual podem ter uma ideia nesta exposição.” Ariane Michel

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