CASA ECONÓMICA

Pedro Bandeira, 2010-2011
Argumento: Pedro Bandeira
Realização: Gil Ramos
Edição: Luís Lima
Agradecimentos: Guilherme Nogueira, Miguel Ângelo, Celina Ramos, Vera Costa e Mariana Pereira

(…) “Em alguns casos os bens eram simplesmente destruídos após a cerimónia. Os Governos do Canadá e Estados Unidos proibiram o Potlatch nos finais do século XIX por considerar o ritual uma perda irracional de recursos” (…)

É costume dizer-se que a ideia de Casa assenta, em primeiro lugar, na dependência do fogo: fogo enquanto conforto; enquanto espaço de reunião e partilha; fogo enquanto imagem pré-televisiva capaz de atrair uma atenção dormente, quase hipnótica. Associado à ideia de casa está também o conceito de economia: porque o termo economia deriva do grego oikos (casa) e porque a alimentação do fogo, a sua partilha, implica uma administração económica. Nos últimos meses o discurso em torno da economia tem, ilusoriamente, substituído o discurso político. Ainda assim, a descrença generalizada nos políticos em paralelo com a descrença na economia financeira não consegue ultrapassar o sentimento de que não há alternativas ao mercado global. Ultrapassar este sentimento implicará, por certo, uma atitude radical: voltar ao inicio; à ideia de casa primitiva; de fogo; e de uma economia não especulativa, independente do papel moeda. Potlatch.

*significado de Potlatch, in Wikipedia.

Pedro Bandeira

Nasceu em 1970, arquitecto (FAUP 1996), é Professor Auxiliar no Departamento de Arquitectura da Universidade do Minho.
A Convite do Instituto das Artes e do Ministério da Cultura integrou a exposição Metaflux na representação portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza (2004) e representou Portugal na Bienal de Arquitectura de São Paulo (2005). Participou na exposição Portugal Now: Country Positions in Architecture and Urbanism (2007) organizada pela Escola de Arquitectura, Arte e Planeamento da Universidade de Cornell (EUA). É autor do livro Projectos Específicos para um Cliente Genérico – uma antologia de trabalhos desenvolvidos entre 1996 e 2006 (Porto: Editora Dafne). Em 2007 concluiu a tese de doutoramento sob o título Arquitectura como Imagem, Obra como Representação: Subjectividade das Imagens Arquitectónicas. Foi comissário da região norte da edição 2006-2008 do Portugal Habitar, co-comissário do seminário internacional Imagens de Arquitectura e Espaço Público em Debate (FAUP, 2010) e do seminário internacional Megaestruturas: Arquitectura e Jogo, integrado no Congresso Internacional ICSA (UM, 2010).

© 2017 Curtas Vila do Conde