HABITAR

valter hugo mãe, 2010-2011
Objectos pessoais do autor
Música de Bruno Pereira

Habitar é contaminar. Impregnar o espaço de quanto nos define. Somos habitantes do que nos revela, aquilo que se comporta como um somatório da memória possível, guardado por gosto ou força maior, como extensões de um tempo passado que não há modo de apagar. Habitar, neste sentido, é não perder memória. É ser capaz de enfrentar cada coisa e manter, perdurar, até que passemos também e todos os objectos que nos pertenceram e constituíram significado se esvaziem desse contágio e sejam só matéria inerte, burra, imprestável.
Habitar é a inteligência possível com que dotamos o espaço de um tempo emocionalmente importante. Habitar e amar, como espaço e o que fazemos do tempo, é movido pelo e para o interior. Os objectos são sinais para o interior. Como se fossem coração, pulmões, fígado ou vísceras de um espírito assim denunciado.

valter hugo mãe

valter hugo mãe nasceu em Saurimo, Angola, no ano de 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vive em Vila do Conde. Publicou quatro romances: a máquina de fazer espanhóis (2010) o apocalipse dos trabalhadores (2008), o remorso de baltazar serapião (2006) e o nosso reino (2004).
A sua obra poética está revista e reunida no volume contabilidade (Objectiva/Alfaguara, 2010). É autor dos livros para crianças: O rosto (Agosto 2010), As mais belas coisas do mundo (Agosto 2010), A verdadeira história dos pássaros (2009) e A história do homem calado (2009). Escreve a crónica Autobiografia imaginária no Jornal de Letras.
valter hugo mãe é vocalista do grupo musical Governo (www.myspace.com/ogoverno) e esporadicamente dedica-se às artes plásticas. Em 2007 recebeu o Prémio José Saramago pelo seu segundo romance.
Recebeu, em 2009, o troféu Figura do Futuro. Recebeu, em 2010, a Pena de Camilo Castelo Branco.

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