
“Vídeo killed the painting stars”#8 (newton), video, 5´58’’, loop, 2007

“Vídeo killed the painting stars”#5 (morimura), video, 5´51’’, loop, 2007

“ICONOFILIA” #1, video, 5´20´´, 2007
O vídeo está entre a fotografia e a pintura, em termos de materialidade: conserva a
fisicalidade dos materiais (textura, pigmentos, etc.), aproximando-se da pintura, mas
também da fotografia pelo formato, cor e facilidade de acesso.
"Video killed the painting stars" é uma abordagem iconoclasta a algumas imagens
basilares da história das artes visuais, em 11 vídeos. Ou porque se destroem obras, ou
porque se modificam, ou porque a acção acrescenta novas camadas criando uma nova
obra, radicalmente diferente da original.
Em peças como "Video killed the painting stars"#2 (Manet), (o quadro original é importante
porque coloca o espectador dentro do quadro através do olhar da figura central)
desmonta-se o "erro" de perspectiva das figuras no espelho que reforçam a incerteza do
que estamos a ver: Quem vê e que é que é visto? O vídeo corrige a perspectiva deixandonos
a sós com a empregada do Foly Bergeres: somos nós, agora (espectador
contemporâneo) que somos seduzidos pelo seu olhar. É um novo Manet inacabado porque
nem tudo foi corrigido. Em "Video killed the painting stars"#3 (Wall) (remake do quadro de
Manet) anula-se o efeito de espelho e coloca-nos na verdadeira posição do espectador,
consciente do "truque".
"Video killed the painting stars" toma como ponto de partida a ideia de que há em nós uma
pulsão destruidora da imagem, substanciada por inúmeros exemplos ao longo da história
do homem: desde Jesus a expulsar os vendilhões do templo, passando pela iconoclastia
luterana ou pela explosão do budas afegãos até Mr. Bean apagando a cara da mãe de
Whistler.
O autor investiu-se desta pulsão destruidora e transformadora e escolheu obras
significativas da cultura visual do nosso tempo. Para tal usou a classificação dos diversos
tipos de iconoclastas referidos por Bruno Latour em “What is iconoclash? Or is there a
world beyond the image wars?”. Assim temos iconoclastas clássicos que não aceitam as
imagens como mediadoras do conhecimento e que consideram fundamental a sua
erradicação total; outros pensam que não se deve extrair uma imagem da torrente de
imagens e isolá-la; outros atacam ou censuram as imagens pelo seu valor simbólico para
os outros e não por serem imagens; outros, simplesmente destroem para construir de
novo, e ainda, outros usam a provocação e a irreverência para afirmar a sua independência
em relação à imagem.
A experimentação e a investigação deste projecto também levou o autor a criar uma nova
série de vídeos chamados “Iconofilia” (da qual se mostram dois) e que reflectem, não a ideia
comum da obsessão pela imagem mas sim, a perseguição da verdadeira imagem, da
imagem perfeita numa procura de objectividade e verdade.