Laurent Fiévet

Nascido em 1969, em Boulogne-Billancourt, França. Vive e trabalha em Paris. EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS Essences de l’Image: portraits olfactifs 1. Den Haag (Paises Baixos), galeria Ramakers, 2007. 2006. Portrait au narcisse. Paris, RATP, instalação apresentada na estação de Saint Lazare; 2006/2007. Épreuves du Temps. Paris, Instituto Finlandês, 2006. Essences de l’Image: portraits olfactifs 1. Paris, galerio La Ferronnerie, 2006. Suites hitchcockiennes (Hitchcock sarja). Helsinki, museu Kiasma Nykytaiteen, 2003/2004. Aikakokeita. Hyvinkää Art Museum (Finlândia), Musée des Beaux-Arts, 2003/2004. EXPOSIÇÕES COLECTIVAS, FESTIVAIS E FEIRAS DE ARTE CONTEMPORÂNEA Art Amsterdam/KunstRAI 2007; Amsterdão, galeria La Ferronnerie, 2007. Festival Etaarsverk; Paris, la Bellevilloise, 2007. Étranges songes. Paris, galeria La Ferronnerie, 2007. Vacances à la folie. Paris, galeria La Ferronnerie, 2006. TRABALHOS LOVELY MEMORIES (2007) Inastalação vídeo interactiva. . 12 montagens vídeo de 15'' a 31'18''. PORTRAIT À L'ÉCUME (2007) Inastalação vídeo. 2 montagens vídeo de 5'27'' e 7'57''. HERS (2007) Performance, em colaboração com Johanna Zweig. 1 montagens vídeo de 48'. HAPPY SCREAM (2006) Instalação vídeo. 4 montagens vídeo de 4'20''. IRRUPTIONS (2006) Instalação vídeo. 22 montagens vídeo de 2'57'' a 21'36''. ITALIAN STOP (2006) Instalação vídeo. 2 montagens vídeo de 16'03'' et 19'05''. STOP (2006) Instalação vídeo. 2 montagens vídeo de 32'32''. PORTRAIT AU NARCISSE (2005) Instalação vídeo e olfactiva, em colaboração com Alexis Dadier. 2 montagens vídeo de 17' et 30', 1 perfume. PORTRAIT À L'HÉLICE (2005) Instalação vídeo e olfactiva, em colaboração com Alexis Dadier. Existe em duas versões sendo uma delas interactiva. 1 montagem vídeo de 36'45'', 1 perfume. PORTRAIT AU BOUQUET DE VIOLETTES (2005) Instalação vídeo e olfactiva, em colaboração com Alexis Dadier. 1 montagem vídeo de 48'06'', 1 perfume. LE TEMPS SUSPENDU (2003-2004). Instalação evolutiva com pássaros. ÉCHEVEAUX (2003) Instalação sonora. 1 registo sonoro. PANDORE (2003) Instalação vídeo interactiva. 2 montagens vídeo de 20'' e 1'30''. JUNE (2003) Instalação vídeo interactiva. 18 montagens vídeo de 2''. AUTOPORTRAIT AU MÉTRONOME (2003) Instalação vídeo. 4 montagens vídeo de 20' environ. RED SPOT (2003) Instalação vídeo interactiva. 3 montagens vídeo de 5'' a 30'. SCREAM (2003) Instalação vídeo interactiva. 4 montagens vídeo de duração variável entre 2'33'' e 4'19''. M-HELENE (2003) Instalação vídeo. 7 montagens vídeo de 9'02''. DÉXCONSTRUCTION (2002) Instalação vídeo interactiva. 5 montagens vídeo de duração variável entre 21' e 35''. INFRASTRUCTURES (2002) Instalação vídeo interactiva. 3 montagens vídeo de 5'02'', 10' et 10'10''.
 

Obras

PORTRAIT A L’HELICE
Técnica : Vídeo, cor, s/ som e 3 ventoinhas;

A montagem utiliza um curtíssimo excerto de North by Northwest de Alfred Hitchcock (1959) e diversos detalhes de The Shipwreck de J.M.W. Turner (1805). Duração : 36’ 45” em loop ; Assistência técnica e de montagem : Cédric Jouan ; Assistência técnica à montagem da instalação : Davide Freitas ; Instalação criada em 2006 mas apresentada na sua forma museal pela primeira vez na exposição “Under Hitchcock” Esta obra foi criada em 2006 mas apresenta-se pela primeira vez sob a forma de exposição em “Under Hitchcock”. A instalação associa, por meio de uma sobre-impressão, um grande plano de Eve Kendall (interpretada por Eva Marie Saint em North by Northwest) e uma paisagem maritima de Turner, intutulada The Shipwreck, que representa diversas embarcações capturadas por uma tempestade. O plano onde aparece a heroina do filme é apresentado num ecrã suspenso, disposto em diagonal relativamente ao espectador. Três ventoinhas funcinam na direcção do ecrã e por vezes iniciam o seu movimento com a chegada dos visitantes. Totalmente concebido em torno da ideia de corte, a montagem faz uma declinação de inumeras propostas que confrontam o enquadramento de Hitchcock com diversos detalhes da composição de Turner. Quase imovel no inicio do video, o rosto de Eve anima-se gradualmente e começa por rodar, mimetizando o movimento giratorio das hélices das ventoinhas, como se procurasse o olhar dos visitantes escondidos na penumbra. A instalação estabelece uma relação, implicitamente directa, entre o sopro das ventoinhas e a representação da tempestade no quadro de Turner. A deslocação do ar provocada pela rotação das hélices é exposta no seio de um dispositivo cenografico e é o principal elemento que vem subverter a calma aparente do retrato. Enquanto que Eve Kendall desvia regularmente o rosto para olhar na direcção de uma das hélices, a sua cabeleira desdobra-se em vagas que ondulam no ecrã, elevando-se ao ponto de ameaçar as embarcações do The Shipwreck. Noutros momentos é o quadro de Turner que introduz um perigo no universo do filme. O seu rosto aparece-submerso entre as vagas bem como o seu pescoço aparece ligeiramente dilacerado pela vela de um navio que aparece no centro da composição como a lamina de um machado gigante. A instalação propõe uma reflexão sobre a natureza do olhar do espectador do filme, que é multiplicado figurativamente pela presença das ventoinhas na sala de exposição e ricocheteado pelo olhar de Eve Kendall. A angustia causada pela representação da tempestade repercute-se fora do ecrã graças ao turbilhão gerado pelas hélices.
 

Obras


PORTRAIT A L’ECUME
Técnica : vídeo ; c/ cor, s/som ; máquina de bolas de sabão e projector ; Duração aproximada das montagens : loops de circa 6 a 8 min ; Assistência técnica à montagem : Xavier Gautier ; Assistência técnica à instalação : Davide Freitas ; Instalação criada para a exposição “ Under Hitchcock ” Da série Essence de l’Image, Portraits olfactifs

Consagrado à personagem de Madeleine (Kim Novak) em Vertigo, Portrait à l’écume desenvolve-se em dois espaços contiguos. No primeiro, num respiro do edificio encontra-se instalada uma máquina de bolas de sabão, que projecta intermitentemente, bolas de sabão. Num segundo espaço interior é projectada a montagem que reúne diversos extractos de Vertigo. No primeiro espaço as bolas de sabão são a metáfora da desencarnação de Madeleine e excluem qualquer recurso às imagens do filme. De acordo com o estatuto que lhe é atribuido por Hitchcock, Madeleine é um envelope vazio, uma superficie transparente susceptivel de desaparecer a qualquer momento. As bolas de sabão roseas propõe igualmente a materilaização do seu rastro olfactivo. Sugerindo a passagem da personagem pelo jardim, e fazendo eco à sua ausência. Madeleine aparece simultâneamente como um fantasma e uma criatura inacessivel, um objecto sofisticado e ofuscante de desejo que a extrema fragilidade das bolas simboliza impossivel de capturar. Esta representação, não encontra uma correspondência explicita no filme, encontra-se ancorada numa outra referência presente em Vertigo. Diversas vezes, e particularmente na sequência em da sua primeira aparição na historia, Madeleine é comparavel à figura central do Nascimento de Vénus de Sandro Boticcelli. As bolas de sabão que percorrem a Solar substitutem as rosas perfumadas que no quadro caiem numa chuva em torno da deusa. Materializam a espuma que na mitologia greco-romana dá nascimento a Vénus. A montagem video apresentada num segundo espaço detém-se nos numerosos décors do filme, com o recurso à dissolução das imagens no ecrã negro, que permite reagrupar os espaços invocados. Mesmo se se apresentam a um olhar mais destraido isentos de presença humana, adquirem vida por imperceptiveis movimentos ou aparições fantomáticas, que imprimem um ritmo lancinante à projecção. Induzido pelo ritmo dos planos e pela sucessão dos décors que respeitam aproximativamente o desenvolvimento da historia de Vertigo, o espectador faz livremente apelo às suas recordações do filme, como faria um músico perante uma partição musical imcompleta.
 

Obras

LOVELY MEMORIES
Doze montagens utizando diferentes extractos de Frenzy de Alfred Hitchcock (1972). Duração das montagens : de circa 11 segundos a 13 minutos ; Assistência técnica à montagem : Xavier Gautier ; Assistência técnica à instalação na galeria : Davide Freitas ; Instalação criada para a exposição “ under Hitchcock ”. Concebido para a exposição Under Hitchcock

Série Essence de l’Image, Portraits olfactifs Uma enorme quantidade de batatas encontra-se amontoada no espaço da exposição. Um sapato de mulher, um escarpin, jaz no topo do monte de tubérculos no qual foi enterrado parcialmente um velho televisor. No ecrã podemos vislumbrar um extracto de Frenzy, onde vemos o personagem de Brenda Blaney (Barbara Leigh-Hunt) a tentar arrancar-se de uma poltrona. Um baloiço está pendurado em frente ao televisor. O visitante pode sentar-se para ver as imagens no ecrã ou para se balançar por cima das batatas. Quando o baloiço entra em movimento a imagem de Brenda desaparece momentâneamente dando lugar a uma outra série de montagens onde aparecem, sob a forma de flashes, diferentes extractos de Frenzie. Emergindo do aparelho uma voz inicia uma ladainha “ - lovely, lovely, lovely’s… ”, proferidos ameaçadoramente. Uma webcam esta escondida entre as batatas, de forma a filmar em plano inclinado os visitantes que se balaçam na sua direcção. As imagens que a câmara capta são difundidas em directo num ecrã de computador disposto num outro espaço da galeria. A presença dos tubérculos remete imediatamente para uma das sequências de Frenzy, onde Rusk tenta recuperar entre os dedos de Babs, dissimulada dentro da carga de um camião, o alfinete de gravata que poderia permitir à policia identifica-lo. O baloiço e o sapato de tacão alto que empoleira o monticulo alude à pintura Les Hasards Heureux de l’escarpolette, de Fragonard, cuja reprodução aparece no filme, pendurada exactamente atràs da secretária de Babs. Decidindo baloiçar-se o visitante assume um duplo papel. Por um lado assimila-se a Babs sendo projectado como ela em direcção ao monte de batatas e tambéma Brenda, outra vitima de Rusk, que apresenta caracteristicas que a assemelham à figura feminina de Fragonard. A montagem reforça esta analogia. Os movimentos de Brenda são re-trabalhados para simular o seu balanço na excarpolette. Anunciando ou prolongando o baloiçar dos visitantes sobre as batatas, estes movimentos provocam entre o personagem e os visitantes, um jogo de espelho que reforça a projecção no universo da pintura e do filme. É assim instalado um perigo suspenso, uma ameaça que o visitante pode escolher desafiar ou não, arriscando-se fisicamente no seio da instalação, esta vertigem pode recordar a do abandono a que se entrega o espectador numa sala de cinema.

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