video, 7'20”, loop, espelhos, dimensões da instalação variáveis

“Odissey” condensa “2001: Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick numa série de fatias de imagens: o filme completo é re-apresentado em 7 minutos e com 20 camadas de profundidade. As tiras finas de imagens revelam o filme como um quadro de Op Art exagerado, levando-nos através de modulações de cor numa configuração hipnótica. Numa instalação no Musée d'Art Contemporain Val-de-Marne (MAC/VAL) de Paris, o vídeo de canal único foi refletido em três espelhos gigantes, criando uma câmara infinita de linhas. Tiras sem fim estendem-se pela imagem refletida, inspirando-se na narrativa original do filme. As especulações sobre o infinito e a eternidade são evidentes, enquanto que os espelhos enfatizam a natureza falsa do mundo de ficção cientifica no qual reside “Odissey”.

Sheena Macrae

Sheena Macrae licenciou-se no Emily Carr Institute de Vancouver, Canadá em 1999 e obteve um mestrado em Belas Artes no Goldsmiths College, Londres, em 2002. Ganhou vários prémios e expôs internacionalmente, com destaque para as exposições individuais no Musée d'Art Contemporain Val-de-Marne em Paris, na Galeria Whitechapel, em Londres e na Haus der Kulturen der Welt, Berlim. Macrae foi também artista-residente da Universidade de Monash, em Melbourne. Sheena Macrae iniciou o seu percurso artístico como cineasta e todo o seu trabalho é filtrado através da linguagem e da teoria do cinema, dando ênfase à forma como no cinema o significado é forjado e à contribuição do público para a experiência de ver cinema. A obra de Macrae manipula a iconografia popular no cinema e no vídeo através da compressão, explorando o fascínio moderno com a velocidade, a nostalgia, a informação e o entretenimento. Ela apropria-se dos formatos ready-made do cinema e da televisão através de tecnologias digitais, fixando-se obsessivamente nos pontos narrativos fulcrais e recorrentes. As suas obras parodiam e reconstroem a dinâmica dos clichés de Hollywood, a memória coletiva e a estandardização das narrativas no cinema. Cooptando a sintaxe da linguagem cinematográfica, Macrae desenvolve significados alternativos através de um remix de pós-produção.

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