To Lose Everyday South

A memorização cumpre-se segundo o princípio de uma melodia, uma reposição, um tema insistente, uma variação, uma fuga, um contraponto.
A morte perfaz uma montagem em velocidade relâmpago das nossas vidas conjugando o nosso presente que é infinito, instável e incerto. A montagem consegue para a matéria fílmica aquilo que a morte consegue para a vida.
É impossível percecionar a realidade enquanto ela se desenrola senão a partir de um único ponto de vista, e este pertence sempre ao sujeito que a perceciona. A realidade vista e ouvida à medida que se desenrola, é sempre no tempo presente.
Não existe viagem sem regresso.
O presente torna-se passado: um passado que, por motivos meramente cinematográficos (e não estéticos) está sempre no modo presente (um presente histórico).
A memória permite um fluir interminável de conexões. Se cada imagem conta uma história, então a acumulação destas imagens está mais perto da experiência da memória, uma história sem fim. Mas quanto mais nos aproximamos de uma imagem mais ela recua.
Trinta segundos de uma árvore não são trinta segundos de uma árvore.
Em Sud (Sul, 1999), uma árvore evoca um homem negro que poderá ter sido enforcado. Se mostrar uma árvore durante dois segundos, esta segunda camada não estará lá - será somente uma árvore. É a duração que estabelece isso.
As naturezas mortas de Ozu perduram, têm duração, mais de dez segundos de vaso: esta duração do vaso é precisamente a representação daquilo que perdura, através da sucessão de diferentes estádios.
É o tempo que leva à morte. Tirei duas horas da vida de alguém. Durante este tempo sentimos a nossa existência.
No exercício da viagem, o primeiro viajante que encontramos somos nós.
Um símbolo consiste de um significante e de um significado mas também de uma terceira instância de mediação - o intérprete.
A primeira imagem de La Jetée é a do aeroporto de Orly perto de Paris.
O avião edifica em termos metafísicos e filosóficos: sentimo-nos de súbito um fragmento de um enorme todo, um ínfimo pedaço de uma enorme mecânica que nos transporta e nos ultrapassa. Sentimos que pertencemos a esta terra, a estes elementos, mas a nenhuma nação em particular. Que idioma falar quando entramos no avião? O do país deixado para trás ou o do país de destino?
A alternância entre partidas e chegadas possibilita uma definição de habitar (a habitação não se resume à ocupação de um lugar).

I dream how, stretched out with my head here and my feet there, so near this southeast corner of the Tartar city, I find myself lying exactly north to south. Like all the houses, palaces, shacks of Beijing, my house, my shack, my palace, is very astronomically oriented, occidented, trimming its major buildings exactly toward the south. This is an imperial rule among all: “Let the Emperor be named, He Who Faces South”!
Exoticism’s power is nothing other than the ability to conceive otherwise.

Vincular de modo diferente os pedaços díspares, redistribuir a sua disseminação, orientar, respeitar, remontar sem pretender resumir nem esgotar.
Last chapter:
Exoticism. A bloated and compromised word, abused, ready to explode, to burst, to empty itself of everything.
Despite its already somewhat compromised title, it will not have much about the tropics or Palm trees, coconut trees, Asian Palm trees, or guava trees, unknown fruits and flowers;
A few coloured tears will be shed there, but their quantity will soon dry up.


Conflito dentro do plano é um atlas em potência.

Tatiana Macedo, 2014

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