DO RIO DAS PÉROLAS AO AVE

02.07 - 25.09.2106

João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues

A partir de filmes já existentes, concebidos original- mente para exibição em sala de cinema, e de outras peças criadas expressamente para o espaço da Solar, será a primeira mostra em Portugal da nossa obra num formato com o qual começámos a trabalhar recentemente. A nossa primeira exposição data de 2013: “Santo António”, uma instalação criada para o Mimesis Art Museum na Coreia do Sul (26/11/2013 – 09/02/2014). No ano seguinte, o João Pedro apresentou uma instalação video de 4 canais (que fazia parte da exposição coreana), na Johnson-Kulukundis Family Gallery do Radcliffe Institute da Universidade de Harvard (29/10/2014 – 4/12/2014) e o nosso filme “Alvorada Vermelha” fez parte da exposição colectiva “Onde É A China? / Where Is China?”, apresentada simultâ- neamente no Beijing World Art Museum - Millenium Monument, República Popular da China (16/05 – 04/06/2014) e no Museu do Oriente (Fundação Oriente), Lisboa (29/05 – 06/07/2014), tendo sido censurado pelas autoridades chinesas e retirado da exposição de Pequim.

Foi precisamente o filme “Alvorada Vermelha” que nos levou até à Ásia, às margens do Rio das Pérolas, a Macau, onde o João Rui passou a sua infância. Todos os filmes que realizámos juntos desde “China, China,” filmado em Lisboa, no Martim Moniz, em 2007, estão, de algum modo relacionados com aquele território. Foi a forma que encontrámos de partilhar uma memória, fun- dadora para o João Rui, mitificada para o João Pedro. Foi também por via asiática que chegámos ao filme enco- mendado pelo Curtas em 2013: “Mahjong”, um retrato pessoal da Varziela, a maior “Chinatown” portuguesa.

Em Julho de 2016, regressamos a Vila do Conde, nas margens do Rio Ave, com um conjunto alargado de obras, numa exposição que antecipará a nossa retros- pectiva integral no Centro Pompidou no final deste ano.

Partindo maioritariamente do nosso trabalho em curta- -metragem, mas também de adereços icónicos das longas-metragens, propomos um percurso lúdico pelo universo dos nossos filmes, procurando e provocando novos diálogos e confrontos que possam iluminar o nosso trabalho.

Escolhemos para nos acompanhar no projecto Cave, o jovem artista João Gabriel Pereira. A sua compulsiva e convulsiva produção, sobretudo no campo da pintura, habitada de fantasmas de ficções, devolve-nos um olhar desencantado mas solar do mundo que passa.

João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

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