VHS

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Sobre a Obra

Lamas trabalha documentários e projetos artísticos híbridos explorando novos caminhos, tanto quanto à forma como ao conteúdo. São obras que desafiam a metodologia convencional de produção cinematográfica, transpondo a demarcação entre as várias formas cinematográficas e artísticas de expressão estética. Os projetos em que se concentra são uma tentativa de diluir a suposta fronteira entre documentário e ficção, cujo foco principal é a relação intrínseca entre narrativa, memória e história, utilizando a imagem em movimento para explorar o traumaticamente reprimido, o aparentemente irrepresentável ou o historicamente invisível, desde os horrores da violência colonial até às paisagens do capital global. Em vez de se colocar numa situação periférica, algures entre o cinema e as artes visuais, ficção e documentário, Salomé Lamas transforma-os numa linguagem própria, desafiando, também, a divisão entre géneros e modos de exibição.

Filmes destemidos, tanto quanto aos riscos formais como narrativos que assumem, evidenciam a sua performance física, quando vemos a realizadora amarrada, pendurada, a cair ou a sentar-se silenciosamente atrás da câmara, numa fértil ocupação de uma terra de ninguém. A maioria das suas obras resultam de uma viagem a uma realidade desconhecida, que ela ocupa conscientemente como um corpo estranho que choca contra a envolvente, desencadeando o drama e esperando pacientemente que a realidade se torne extraordinária.

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