Terra: Futuro Brilhante

A Solar Galeria de Arte Cinemática, entre 8 de julho e 17 de setembro, apresenta “Terra”, uma exposição coletiva da nova geração de criadores portugueses: Gabriel Abrantes (em colaboração com Ben Rivers), Priscila Fernandes, Pedro Neves Marques, Joana Pimenta, Lúcia Prancha, Francisco Queimadela e Mariana Caló. São autores que de alguma forma já terão estabelecido uma relação com a Curtas Metragens CRL, quer seja de forma direta, pelo apoio dado à produção de obras originais, quer pela participação no Curtas Vila do Conde ou, até, em exposições anteriores da Solar. O tema sob o qual se agrega o conjunto de instalações, para além da óbvia conotação com questões ambientais, refere-se sobretudo à imersão local, na nossa terra, das imagens do mundo sobre as quais estes artistas e realizadores se debruçam. Transparece, concetualmente, uma transposição de escala, de lugar e de tempo, tal como a vontade de trabalhar ora para o espaço da sala de cinema, ora para o da galeria de arte.

A decorrer em simultâneo à 25ª edição do Curtas Vila do Conde e prolongando-se até setembro, esta exposição coletiva integra seis instalações site-specific, desenvolvidas a partir de filmes, mas não passando obrigatoriamente pela sua projeção. Cada obra é construída refletindo sobre o lugar, primeiro o da sua terra de origem, onde foi imaginada, filmada, construída. Depois, na terra para onde viaja e onde pára, pelo menos por breves meses, habitando um espaço com marcas ora de uma história passada, ora de uma ocupação recente, a do próprio historial de exposições da galeria. Neste sentido, as instalações partem de pontos específicos do planeta, muitas vezes longínquos, para que se revelem num local específico onde se consumam num todo que forma a Terra, contribuindo para uma ideia complexa formada a partir de elementos simples.
As exposições da Solar Galeria de Arte Cinemática têm encontrado interseções e interações com a programação do Curtas Vila do Conde Festival Internacional de Cinema. Sincronizando-se com a abertura do festival, realiza-se, assim, uma exposição que aproveita o maior fluxo de público ao festival, tanto nacional como estrangeiro. Este ano, acompanhando o enriquecimento da celebração do 25º Curtas Vila do Conde, a exposição da Solar explora uma temática apelativa, evidenciando a nova geração de criadores portugueses, articulando-se com um extenso programa de filmes como proposta complementar: o vislumbre de um possível futuro.

A programação da Solar tem vindo a apontar, ao longo de 11 anos, alguns caminhos para uma reflexão sobre os paradigmas da arte contemporânea, quer nacional, quer internacional. Neste âmbito, é pertinente dar relevo a um conjunto de obras e autores selecionados entre uma geração que deverá construir o futuro dos cruzamentos possíveis entre as áreas do cinema e das artes plásticas no nosso país. Assim, esta exposição propõe uma reflexão sobre questões importantes para a linha programática da Solar, tais como: a ética face à preservação ambiental como paradigma transversal; a ambivalência das obras cinematográficas que também podem explorar o contexto de galeria ou a utilização de suportes comuns ao cinema por parte de artistas plástico-visuais; a experimentação de dispositivos que relacionam o processo criativo com a consecução da obra de forma alternativa e variável, em situação site-specific; a oportunidade de dar a conhecer a um público mais vasto obras de artistas e cineastas jovens, portugueses, que alcançam já alguma notoriedade nacional e internacional.

Mário Micaelo

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