NO HAY TIERRA MÁS ALLÁ

Samuel M. Delgado, Helena Girón · Espanha · 2018
Projeção de filme 16mm, 3’, loop, cor, sem som.
Cubo de acrílico com água de mar sobre base giratória.
2 canais de som, estéreo.



“Non terrae plus ultra, no hay tierra más allá” para aqueles que ousem cruzar as colunas de Hércules, aquelas que delimitam o fim do mundo conhecido. Esta velha lenda grega caiu no esquecimento e, mutilada, converteu-se no lema do ainda embrionário Estado Espanhol.

As ilhas Canárias, as afortunadas, – que nesse momento ainda não tinham sido conquistadas na totalidade pelos castelhanos – foram a última terra que os marinheiros de Cristóvão Colombo pisaram antes de chegar à América. Esse território converteu-se num laboratório, num banco de provas onde se desenvolveram muitas das estratégias e modelos sociais exportados pelos conquistadores para o “novo mundo”, e que se tornaram letais para os aborígenes que as povoavam.

Atualmente, as suas múmias, expostas nos museus de história e antropologia, longe do lugar em que algum decidiram permanecer, são os únicos testemunhos daquele tempo que nos lembra que todo o documento cultural não é senão um documento da barbárie.

A sua história, como a das mulheres, foi negada insistentemente pelo relato oficial. Os seus vestígios deixaram um rastro oculto que, ainda que borratado e impreciso, nos chega hoje com a potência da uma revelação, permitindo-nos questionar e subverter as crenças em que se fundamenta este Estado.

Em analogia com a ideia da história oficial como construção ideológica, que simplifica e mutila tudo o que sai da sua copa, neste espaço, o projetor, construído para eliminar todas aquelas “aberrações luminosas” que a luz gera, revela-nos os reflexos fantasmagóricos e visões a partir das imagens do nosso filme Plus Ultra. Através da imersão, evocamos um estado latente e subterrâneo, uma viagem sob a influência da água, da luz e do som.






Samuel M. Delgado, Helena Girón

Helena Girón é licenciada em comunicação audiovisual, mestre em argumento pela UC3M e em montagem pela ESCAC. Atualmente, o seu trabalho foca-se no cinema documental e experimental recorrendo a materiais físicos e processos fotoquímicos. Samuel M. Delago é cineasta, argumentista e professor convidado na EICTV de San Antonio de Los Baños, Cuba. Escreveu e realizou o premiado “Malpais” (2013). O seu trabalho colaborativo explora as relações entre mitologia e materialismo. Os seus filmes foram exibidos em vários festivais internacionais de cinema, como no TIFF, Mar De Plata Film Fest, IFF Rotterdam, Curtas Vila do Conde FIC, entre outros. O último filme desta colaboração, “Plus Ultra”, foi selecionado para o FICUNAM 2018 e para o Locarno Festival. Em 2015 e 2016, foram exibidos no Curtas Vila do Conde FIC dois filmes da dupla: “Sin Dios Ni Santa María” e “Montañas Ardientes Que Vomitam Fuego”, respetivamente.

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